RIO — O
despachante Júlio César Rodrigues mora em Teresina (PI) e há quatro anos
comprou uma moto com a qual vai para todos os cantos da cidade. Mesmo sem se
dar conta, ele ajudou o Brasil a bater um novo recorde: o país chegou a uma
frota de mais de 80 milhões de veículos. Carros ainda são maioria, mas as
motos, como a comprada por Júlio César, estão entre as maiores responsáveis
pelo alcance dessa marca. Junto com os veículos, crescem o tempo gasto no
trânsito, a poluição e o número de acidentes, do qual o despachante também já
foi vítima.
O Brasil
se tornou um país que ganha mais carros e motos do que gente. De acordo com
dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), entre setembro de 2003 e
o mesmo período deste ano, houve um aumento de 123% na frota do país. Para se
ter uma ideia, nesse mesmo espaço de tempo, a população cresceu 11%. Nesses
anos usados para a comparação, o Brasil ganhou uma média de 12 mil por dia. Em
resumo, é como se todos os moradores de uma única cidade, como Cardoso Moreira,
no Norte Fluminense, adquirissem pelo menos um carro ou uma moto diariamente.
Todas as
regiões do país mais do que dobraram suas frotas, mas a elevação no índice foi
catapultada principalmente por Norte e Nordeste. Nos dois casos, os percentuais
de crescimento do número de veículos foram de 235% e 195%, respectivamente. A
maior contribuição para que as duas regiões atingissem tamanho percentual veio
das motocicletas, o que se refletiu no índice brasileiro.
Mais
carros nas mesmas ruas
Professor
da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (Uerj) e especialista em transportes, Gilberto Gonçalves explica que o
aumento da frota brasileira é fruto de uma política que incentivou o uso do
carro, com facilidades de financiamento e redução de tributos, como o Imposto
sobre Produtos Industrializados (IPI), que deixa de vigorar no fim do ano. Foi
a escolha por um transporte individual em detrimento do coletivo. O número de
carros e motos, por exemplo, aumentou 125% nesse período. O de ônibus e
micro-ônibus, transportes coletivos, 90%.
Fonte: Jornal O Globo. .

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