domingo, 1 de dezembro de 2013

Frota brasileira cresce 123% nos últimos dez anos e chega a 80 milhões de veículos.

RIO — O despachante Júlio César Rodrigues mora em Teresina (PI) e há quatro anos comprou uma moto com a qual vai para todos os cantos da cidade. Mesmo sem se dar conta, ele ajudou o Brasil a bater um novo recorde: o país chegou a uma frota de mais de 80 milhões de veículos. Carros ainda são maioria, mas as motos, como a comprada por Júlio César, estão entre as maiores responsáveis pelo alcance dessa marca. Junto com os veículos, crescem o tempo gasto no trânsito, a poluição e o número de acidentes, do qual o despachante também já foi vítima.

O Brasil se tornou um país que ganha mais carros e motos do que gente. De acordo com dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), entre setembro de 2003 e o mesmo período deste ano, houve um aumento de 123% na frota do país. Para se ter uma ideia, nesse mesmo espaço de tempo, a população cresceu 11%. Nesses anos usados para a comparação, o Brasil ganhou uma média de 12 mil por dia. Em resumo, é como se todos os moradores de uma única cidade, como Cardoso Moreira, no Norte Fluminense, adquirissem pelo menos um carro ou uma moto diariamente.

Todas as regiões do país mais do que dobraram suas frotas, mas a elevação no índice foi catapultada principalmente por Norte e Nordeste. Nos dois casos, os percentuais de crescimento do número de veículos foram de 235% e 195%, respectivamente. A maior contribuição para que as duas regiões atingissem tamanho percentual veio das motocicletas, o que se refletiu no índice brasileiro.
Mais carros nas mesmas ruas

Professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e especialista em transportes, Gilberto Gonçalves explica que o aumento da frota brasileira é fruto de uma política que incentivou o uso do carro, com facilidades de financiamento e redução de tributos, como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que deixa de vigorar no fim do ano. Foi a escolha por um transporte individual em detrimento do coletivo. O número de carros e motos, por exemplo, aumentou 125% nesse período. O de ônibus e micro-ônibus, transportes coletivos, 90%.

Fonte: Jornal O Globo.                                                                      .

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