A
inflação alta é a principal causa da queda de 6,1% no consumo de bens, serviços
e turismo, prevista para dezembro deste ano, em comparação ao mesmo mês do ano
passado, disse o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Bruno Fernandes.
O economista é o responsável pela área de bens, serviços e turismo da
CNC, que calcula o índice que mede a Intenção de Consumo das Famílias (ICF).
Segundo ele, além da inflação, o aumento dos juros e o fim de medidas de
estímulo ao consumo desestimulam as compras neste Natal.
De acordo
com o economista, a inflação “não está tão forte como no primeiro semestre”,
mas o patamar de preços é maior que o de 2012, inibindo os gastos com os presentes de Natal.
Os juros e o dólar mais altos também encareceram bens duráveis que costumam ser
adquiridos em compras parceladas, como máquina de lavar, fogões e geladeiras. Esses
produtos contavam com isenção de imposto em 2012, o que estimulava as vendas.
Este ano, a intenção de compras desses produtos caiu 11,9%, segundo a pesquisa
da CNC.
Somente
por causa do Natal, o consumo das famílias deve subir 0,9% em dezembro, na comparação
com novembro. “Se não fosse esse impacto sazonal, no cenário atual, não
teríamos essa alta”, disse o economista. Outro fator que desestimula as compras
neste fim de ano, destacou, é a queda da confiança das famílias no emprego, de
6,1%. Bruno Fernandes explica ainda que, em geral, as vendas do comércio nos últimos anos bateram
recordes.
Por isso,
será mais difícil atingir os patamares de “crescimento chinês”
dos anos anteriores, quando o comércio crescia entre 8% a 10% ao ano. “Com a
economia crescendo em torno de 1 a 2% e o comércio crescendo a 4%, vemos que
estamos em cenário não tão favorável, mas favorável: as pessoas ainda estão
consumindo, vão continuar consumindo, mas não tanto como no ano passado”,
esclareceu.
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