Juazeiro do Norte. Quatro manifestantes invadiram as galerias da Câmara de
Vereadores de Juazeiro do Norte, no início da tarde de ontem. Com duas sacolas
de lixo em cada uma das mãos, os manifestantes gritavam palavras de ordem:
“lixo para o lixo”, enquanto rasgavam as sacolas e derramavam seus conteúdos no
chão do plenário.
A ação foi deflagrada momentos após a abertura da
sessão, quando alguns vereadores solicitavam da Mesa Diretora a antecipação do
anúncio do período de recesso parlamentar, como forma de minimizar as críticas
que a Casa vem recebendo, depois que o Legislativo decidiu manter o mandato do
ex-presidente da Câmara, Antônio de Lunga (PSC), impedido de exercer a função
da vereança por determinação judicial.
Ele, juntamente com o tesoureiro do legislativo, Ronnas
Motos (PMDB), também afastado da função por determinação da juíza Ana Raquel
Colares dos Santos, é investigado pelo Ministério Público do Estado (MP-CE) por
suspeita de fraudar processos licitatórios para compra exagerada de material de
limpeza. O caso ficou conhecido como “escândalo das vassouras”.
Sessão encerrada
Para os manifestantes, o lixo representava a forma como
os vereadores vinham se comportando diante de denúncias de corrupção, mau uso
do erário público e acordos supostamente firmados para garantir a manutenção do
mandato de Antônio de Lunga. Com o mau cheiro exalado pelo lixo, o presidente
interino, Darlan Lobo (PMDB), acabou sendo obrigado a encerrar a sessão sem que
as discussões das matérias estabelecidas na pauta tivessem acontecido.
Parlamentares chegaram a solicitar que o presidente determinasse a prisão dos
manifestantes. O parlamentar, no entanto, disse que recebia o gesto como uma
manifestação popular e não como um ato de vandalismo.
Após o encerramento da sessão, o vereador Antonio
Vieira Neto (PTN), o capitão Vieira, se deslocou à 20ª Delegacia Regional da
Polícia Civil de Juazeiro do Norte, onde registrou Boletim de Ocorrência (BO)
contra os manifestantes. Os vereadores Bertran Rocha, Adauto Araújo, Tarso
Magno, Nivaldo Cabral e João Borges também ofereceram denúncia contra o grupo.
Os ativistas acabaram sendo encaminhados a prestar
esclarecimentos ao delegado Antônio Timbó, que determinou a instauração de um
Termo Circunstancial de Ocorrência (TCO).

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